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CRÍTICA: Mauro Ferreira faz crítica positiva ao Novo Projeto de Sandy

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Capa do Albúm “Nós Voz Eles”. 2018

Justiça seja feita: Sandy procurou sair da zona de conforto no terceiro álbum de estúdio, Nós, Voz, Eles. Mesmo sem ter conseguido virar completamente o disco, essa moça está diferente.

Projeto gregário cujas oito gravações foram sendo reveladas paulatinamente em singles e clipes lançados desde agosto deste ano de 2018, Nós, Voz, Eles tem o mérito de conectar a artista paulista com colegas de outras gerações, alguns de estilo distinto da linha folk adotada pela cantora e compositora após o fim da dupla formada por Sandy com o irmão Júnior Lima.

A rigor, somente duas das oito faixas do álbum – No escuro e Eu só preciso ser, parcerias de Sandy com Lucas Lima gravadas pela cantora com Maria Gadú e com Iza, respectivamente – representam real mudança no som de Sandy por conta das incursões por ritmos norte-americanos como o soul e o blues.

A música cantada com Gadú é boa. Já faixa gravada com Iza é menos sedutora no conjunto do disco, embora a letra feminista mereça ser louvada pela sintonia com um tempo em que as mulheres estão levantando e ativando a voz contra um machismo opressivo que, como se lê nas manchetes cotidianas, pode até matar.

A música ‘No escuro’, gravada por Sandy com Maria Gadú, sobressai no repertório do álbum ‘Nós, Voz, Eles’ — Foto: Divulgação

Independentemente do maior ou menor grau de mudança, Sandy e Lucas Lima assinam (em dupla e/ou com parceiros) sete das oito músicas e mostram evolução como compositores, como sinalizou a primeira canção revelada do projeto, Areia, delicada canção pop apresentada por Sandy em 17 de agosto no primeiro show da turnê Nós, Voz, Eles.

Areia foi gravada no disco em dueto com Lucas Lima, parceiro na música e na vida da anfitriã. Grito mudo – canção composta pela dupla com a adesão de Daniel Lopes e gravada por Sandy com o toque da guitarra do músico mato-grossense Mateus Asato – comprova o progresso de obra calcada em melodias suaves, tão simples quanto eficientes.

Canção gravada por Sandy com a dupla Anavitória, Pra me refazer (Sandy Leah, Lucas Lima, Ana Caetano, Vitória Falcão e Deco Martins, 2018) é daquelas músicas vocacionadas para as paradas, mas sem apelação, estando situada no mesmo universo pop folk de Um dia bom, um dia besta (Sandy Leah, Lucas Lima e Juninho Bill), balada gravada com a voz de Thiaguinho.

Sandy se junta no disco com artistas emergentes como a banda Melim — Foto: Divulgação

 

Antenada, Sandy se junta com artistas em grande evidência no mercado pop da atualidade. Não é por acaso que a emergente banda Melim também figura no disco em Eu pra você (Sandy Leah e Lucas Lima, 2018), outra música pautada pela leveza pop.

Justiça seja feita novamente: a produção de Lucas Lima é elegante, como atesta o arranjo da única música já pré-existente do repertório de Nós, Voz, Eles. Trata-se de Meu disfarce (Chico Roque e Carlos Colla, 1987), balada revivida delicadamente por Sandy com o pai, Xororó, em dueto afetivo que alude ao fato de a música ter sido lançada há 31 anos nas vozes anasaladas de Chitãozinho & Xororó, então uma das duplas sertanejas mais populares do Brasil.

Enfim, Sandy cresce no álbum Nós, Voz, Eles. Quem tem ouvidos limpos do preconceito contra a artista há de escutar e detectar o progresso da cantora e compositora. (Cotação: * * * *)

Fonte: G1 – Adapt: V&E

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Equipe V&E
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